Para Lula, "auxiliar" não pode contaminar o patrão: Análise de Cláudio Humberto sobre relações entre Executivo e STF

Para Lula, "auxiliar" não pode contaminar o patrão: Análise de Cláudio Humberto sobre relações entre Executivo e STF



 Colunista aborda a visão do presidente sobre o Supremo Tribunal Federal e os gastos do governo com propaganda nas redes sociais


A visão de Lula sobre o STF: Um "departamento do Planalto"?

Em sua coluna publicada no Jornal O Sul neste sábado (14/2), Cláudio Humberto aborda a relação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com o Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo assessores, Lula teria afirmado que o ministro Dias Toffoli deveria "sair do STF para não contaminar o governo". A declaração, segundo o colunista, revela uma visão em que o STF não é visto como um Poder independente, mas como um órgão auxiliar do Executivo, que não pode "contaminar" o governo com suas decisões.

Humberto destaca que Lula trata o STF como um "braço estendido" do Executivo, convocando ministros para reuniões, almoços e jantares não oficiais, longe dos holofotes e do escrutínio público. A oposição critica essas reuniões, alegando que nelas são discutidos temas como a blindagem de aliados e ações contra adversários políticos.


Gastos do governo com propaganda nas redes sociais

O colunista também revela que, nos últimos 30 dias, o governo Lula gastou R$ 2 milhões em propaganda no Facebook e Instagram, segundo dados do Meta (dono das redes). Nos últimos três meses, o valor chega a R$ 7,4 milhões, apenas nessas duas plataformas.

  • Foco dos anúncios: A maior parte dos recursos foi destinada a promover a isenção de imposto de renda para rendimentos até R$ 5 mil.
  • Distribuição geográfica: Os maiores investimentos foram em São Paulo (R$ 289 mil), Rio Grande do Sul (R$ 212 mil) e Bahia (R$ 207 mil). Estados como Mato Grosso e Distrito Federal receberam apenas R$ 21 mil cada.

Contexto político e legislativo

Humberto ainda comenta sobre o cenário político atual, destacando que:

  • Congresso em recesso: Tanto o Senado quanto a Câmara dos Deputados não têm compromissos marcados para a semana do Carnaval, retomando os trabalhos apenas no dia 24 de fevereiro.
  • Pesquisa de opinião: Uma pesquisa Real Time Big Data aponta que 14% dos eleitores se identificam como esquerda, 17% como centro-esquerda, 26% como centro, 24% como centro-direita e 18% como direita.
  • Críticas à "brasilificação": A revista The Economist alerta para o risco de outros países seguirem o exemplo do Brasil em crises políticas e institucionais.

Base de apoio no Congresso

O colunista também menciona a frágil base de apoio do governo Lula na Câmara dos Deputados. As duas federações partidárias que sustentam o governo (PT-PCdoB-PV e Psol-Rede) somam apenas 95 deputados, enquanto o PL (partido de oposição) conta com 87 parlamentares.


Críticas e polêmicas

  • Alfredo Gaspar (União-AL), relator da CPMI do INSS, critica a falta de independência do Senado em relação ao STF, afirmando que os ministros seguem "intocáveis" por omissão do Legislativo.
  • Hamilton Mourão (Rep-RS) questionou a propaganda governamental que autointitula o governo Lula como "o melhor da História", classificando a afirmação como "ledo engano".
  • Argentina: A Câmara dos Deputados argentina aprovou a redução da maioridade penal de 16 para 14 anos, projeto apoiado pelo governo de Javier Milei, que ainda precisa ser votado no Senado.

Curiosidade política

Cláudio Humberto encerra a coluna com uma história folclórica sobre o político Teodorico Bezerra, do Rio Grande do Norte. Conhecido por sua astúcia, Teodorico teria alterado uma ordem no Diário Oficial para que sua cidade, Santa Cruz, recebesse uma agência dos Correios no lugar da vizinha Nova Cruz. Questionado anos depois, ele respondeu: "Sou um homem de 75 anos, de modo que só lembro do que aconteceu de seis horas da manhã para cá…"

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